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Por Terras de S. Tomé e Príncipe

Maio / Junho 2018 Por Miriam Mateus

Em S. Tomé e Príncipe a vegetação é densa, impenetrável. O verde perde-se no olhar. As palmeiras, a fruta-pão, as jacas preenchem a ilha como se esta lhes pertencesse. A terra brota sem cultivo. Floresce sem arado. A humidade compacta enriquece o solo que produz cacau, café, sete qualidades de banana, matabala, sape sape. As águas translúcidas abraçam locais paradisíacos. As redes apanham sempre peixe. Peixe bonito, peixe vermelho, sardinha, cherne. E qualquer garoto parece dominar o engenho artesanal da pesca. As pessoas convivem na rua. As crianças são filhos de todos. Todos vão dando “um olho”… e, assim, vão sobrevivendo. As mães carregam os seus bebés como parte do seu corpo. Os panos coloridos abraçam o bebé, colando-o à mãe que cuida, que consola e que trabalha em simultâneo. A vida é “leve leve”. Trabalha-se para comer no dia. Não há ansiedade ou preocupação pelo futuro. Os ponteiros do relógio passam mais suavemente em África. Os segundos prolongam-se. Os minutos arrastam-se. As horas relutam em terminar. A vida parece demorar-se sem pressa por alcançar o amanhã. Todos os dias são dias de lavar roupa no rio. Tantas cores adornam as águas no rio. O seu caudal ocupa-se com os tecidos estendidos. As mulheres carregam os cestos na cabeça. Suportam a fruta, o peixe para vender, a roupa e água que foram buscar às torneiras da companhia.

Que contraste com as aldeias mais pobres e recônditas que estão invadidas pelo lixo acumulado que ninguém recolhe, pelos porcos deambulantes e galinhas que vagueiam pelas estradas de terra. Este mesmo chão empoeirado, que sente os passos da criança descalça, suja, rota, seminua, sobrevivente.

A JOCUM intervém junto de 150 a 200 crianças dos três aos cinco anos, através da valência de Jardim de Infância, junto de idosos, através do apoio semanal na higiene pessoal e doméstica, e junto da comunidade em geral através de escolas de futebol, escolas de capoeira, assim como o ensino de competências de informática e de música. A JOCUM tem também apoiado a população na construção de latrinas nas roças mais desprotegidas.

A ABLA tem como missão servir a comunidade envolvente na área educacional, social e cívica e prestar ajuda humanitária, com empenho, excelência e amor ao próximo, de forma sustentável e que fortaleça o tecido social e a inclusão na sociedade. A ABLA não ficou indiferente às muitas necessidades de S. Tomé e Príncipe tendo-se juntado à JOCUM nesta causa. De criança a criança, de família a família abrem-se caminhos para novas oportunidades de futuro.